"Nós, os que escrevemos, temos na palavra humana, escrita ou falada, grande mistério que não quero desvendar com o meu raciocínio que é frio. Tenho que não indagar do mistério para não trair o milagre. Quem escreve ou pinta ou ensina ou dança ou faz cálculos em termos de matemática, faz milagre todos os dias. É uma grande aventura e exige muita coragem e devoção e muita humildade. Meu forte não é a humildade em viver. Mas ao escrever sou fatalmente humilde. Embora com limites. Pois do dia em que eu perder dentro de mim a minha própria importância - tudo estará perdido. "
(Clarice Lispector, in "Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres (discurso do personagem Ulisses)"
Admiro, gosto, me enlevo em Clarice. Sinto pela vida perdida, agradeço pela poesia e versos que ganhamos, sinto falta do que não tivemos, lamento pelo tanto de escritos que perdemos... Vida linda, vida vivida e como ela mesmo disse em 1976: "Escrevo para me manter viva".
Clarice era única: lírica, era poesia e versos - dela hoje o céu se inunda. Perdemos e ganhamos ao mesmo tempo, pelo menos - sabemos dela! Quem me dera fazer parte do "nós" mencionado acima, quem me dera escrever , de longe, quase assim, quem me dera...Isso era ela, só dela.
Clarice: a ucraniana mais brasileira que se tem notícia, poetisa, por vezes incompreendida, amante e amada, sofrida, como nós: brasileira simplesmente. Linda.
Este post faz parte da coletiva chamada pela Cris: uma homenagem a Clarice Lispector, nos seus dias - de vida e morte -. E pergunto: quem escrevia assim MORRE? Ela é Clarice.
beijos,
Tina